Caligrama
foi o nome que Guillaume Apollinaire usou como título de uma coletânea de poemas
que publicou em 1918 (Calligrammes). O nome veio de uma fusão de Caligrafia e
Ideograma, com as palavras dispostas graficamente de modo a dar uma ideia do
conteúdo dos poemas (ver fig.1).
O
resultado foi uma poesia visual, remontando ao poema figurativo denominados pelos
gregos de technopaignion, onde os
versos tinham comprimentos variados, cuja disposição na página imita a forma do
objeto a que se refere, como no poema Sírinx do poeta grego Teócrito (300-260
a.C) que graficamente imita a flauta de Pã, constituída de vários tubos de
comprimentos desiguais, tal as flautas dos índios dos altiplanos andinos conhecida
por zampõna. Esta flauta parece ser o mais antigo instrumento
musical de sopro conhecido (ver fig.2).
Segundo
a lenda grega, a ninfa Sírinx, para fugir do assédio amoroso do deus, transformou-se
em caniços à margem do rio Ládon. Pã
então cortou alguns em tamanhos diferentes, atou-os uns aos outros e construiu
o instrumento musical que seria seu emblema, dando-lhe o nome de sirinx em
homenagem à ninfa.
Figura 2
Interessante
lembrar que Teócrito, filho de Siracusa na Magna Grécia, é considerado o pai da
poesia pastoril pela graça e naturalidade com que soube evocar, em vários de
seus idílios a vida campestre da Sicília.
Os
Caligramas e poemas figurativos acabaram encontrando continuidade na poesia
concretista e na fusão da poesia com as artes plásticas.


