sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Eu queria fazer


...um poema colorido, só de Alegrias e Amor
   que fosse tal uma caixa de Lápis de Cor
   eu queria fazer uma viagem no reverso tempo
   as quatro crianças, admiradas com Maria Lúcia
   que riscava a Beleza da Cor.

   eu queria rever aquela caixa de Lápis de Cor.

Foto T.Abritta


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

The Wind... Emily Dickinson




Um dos grandes poemas desta escritora, fazendo paralelo entre a Natureza, a Vida, perdas e solidão.


The wind tapped like a tired man,
And like a host, "Come in,"
I boldly answered; entered then
My residence within

A rapid, footless guest,
To offer whom a chair
Were as impossible as hand
A sofa to the air.

No bone had he to bind him,
His speech was like the push
Of numerous humming-birds at once
From a superior bush.

His countenance a billow,
His fingers, if he pass,
Let go a music, as of tunes
Blown tremulous in glass.

He visited, still flitting;
Then, like a timid man,
Again he tapped — 't was flurriedly —
And I became alone.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Traduções & Apropriações



Folha de rosto do Capítulo Traduções & Apropriações, do livro Fotografia & Imagem: Uma jornada Poética, nova versão ampliada-2017, a ser lançado em breve.  Aguardem em seus computadores e tablets o recebimento do ebook


Vale do Cuiabá – Itaipava, Petrópolis-RJ. Foto T.Abritta, 2009.


Como cavalos azuis adormecido, repousando no limite do tempo, seus corações se reconciliaram...

Fragmentos da poesia Montanhas Ao Meio-Dia,
Charles Edward Eaton, traduzida por Jorge de Lima.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Da série metáforas, a Vida e o Firmamento



O CÃO
Mauro Mota
A Edson Nery da Fonseca
É um cão negro. É talvez o próprio Cão
assombrado e fazendo assombração.
Estraçalha o silêncio com seus uivos.
A espada ígnea do olhar na escuridão

separa a noite, abre um canal no escuro.
Cão da Constelação do Grande Cão,
tombado no quintal, espreita o pulo:
duendes, fantasmas de ladrão no muro.

O latido ancestral liberta a fome
de tempo, e o cão, presa do faro, come

o medo e a treva. Agita-se, devora

sua ração de cor. Pois, louco e uivante,
lambe os pontos cardeais, morde o levante
e bebe o sangue matinal da aurora.

          Aqui, Mauro Mota faz uma metáfora com a Constelação do Cão Maior e seu vagar noturno, surgindo no leste do horizonte matinal, tal um renascer e “morrendo” a oeste no entardecer.  O céu descrito nesta poesia, pode ser visto na região de Recife, terra do poeta, entre o final de junho e início de julho, quando esta constelação surge  por volta das cinco horas da madrugada e se põe entre cinco e seis horas da tarde, portanto, de acordo com a imagística da poesia. 

          Nesta constelação está a estrela mais brilhante de todos os céus, Sírius, conhecida pelos antigos egípcios como Sótis, o astro que após longo desaparecimento surge brilhante no horizonte do Nilo, marcando o início do ano para este povo. 

          Para os antigos gregos, Cão Maior representa um dos cães que seguiam Órion, O Caçador.  

Nota:
Para analisar uma poesia, leva-se em conta seus aspectos formais como: isometria, rima, metro, enjambements; aspectos morfossintáticos: verbo, adjetivo posposto ou anteposto, inversões etc.  São considerados também: aspectos fonéticos, semânticos, imagísticos, bem como outros fatores como plasticidade, vocabulário, etc. 
Outra maneira de “ver” um poema, seria através de sua temática, dos seus não-ditos e encantamentos que nos trazem.
Neste poema de Mauro Mota fizemos uma análise pensando apenas na beleza e imaginação do poeta diante do céu noturno recifense.

sábado, 12 de agosto de 2017

Mosaicos no Leblon


          Aqui vai a foto, registrando mais um representante desta Arte Evanescente, que era a decoração de fachadas de prédios com mosaicos.  Este  mosaico fica na Rua General San Martin, 1120, esquina com a Rua Aristides Espínola, no Leblon. 


Foto T.Abritta, 2008.



Mosaicos de Ipanema


Sempre que passava por este prédio, na Rua Visconde de Pirajá 631, em Ipanema no Rio de janeiro, ficava admirando estes mosaicos que ladeavam sua portaria.  Nesta semana, finalmente tirei fotografias, que agora trazem um pouco de "visualidades" ao meu dia pleno de leituras e escrita.

Fotos T.Abritta, mostrando os mosaicos à esquerda da portaria e à direita com seu detalhe.
Rio de Janeiro, 17 de julho de 2017.






segunda-feira, 7 de agosto de 2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Quarta Feira de Cinzas (terceira estrofe)


T.S,Eliot

Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar

De que me possa depois rejubilar

Sobre Poesia




Ao lado da poesia espontânea, do arranca-toco sentimental, existe uma poesia-arte, como existe o futebol-arte.  É esta a poesia que eu pratico.  Poesia de faber, operário artesão.
Augusto de Campos

A nossa imaginação tenta vestir as coisas que estão divinamente nuas.
Marguerite Yourcernar

A Poesia é feita de pequenos nadas.
Manuel Bandeira

Um Poema não deve significar, mas ser.
Archibald MacLeish

Toda poesia já tem em si mesma uma dimensão política.  Em essência, o poeta está em estado de greve.
Augusto de Campos.

Sem forma revolucionária não há arte revolucionária.
Maiakóvski.

A Arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.
Maiakóvski.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

As Curvas e as Letras


a letra de FÔRMA
emoldura a FORMA

na tridimensionalidade
a pintura se transfigura
                        [ruptura

a reta / a curva

enigmático olhar
nudez de Paraíso
veludilínia pele

Arte / Vida

Ela na Tela

A Simplicidade Na Pintura


Pintura por Edward Hopper

Fototexto


Quando sentir o horizonte é não reconhecer-se no limite!


Foto e texto Lena Teixeira, Ouro Branco-MG, 19/07/2015.

          Considero como um gênero, diria artístico e não apenas literário, o que denomino Fototexto, pois envolve tanto a Poesia na forma de Palavra como Visual.  Ou seja, o texto não é mera legenda de uma imagem, nem a imagem ilustra o texto. 
          Aqui vemos um belo exemplo destes conceitos. 
          O texto é bem sintético, contém apenas cinquenta seis caracteres – considerando-se os espaços.  Diz muito sobre a Vida como um paralelo com o esplendor da Natureza.  Fala de nossa busca constante, que só tem sentido diante da Infinitude traduzida pelos cenários naturais.
          Em certo sentido, estes textos curtos, verdadeiras exclamações poéticas, significando muito com o mínimo de palavras, têm parentesco com os Haicais, Koans e Epigramas.  Com os Haicais pelos paralelos da Vida com o passar do tempo e com as estações do ano.  Com os Koans, que são breves narrativas, diálogos, questões e ensinamentos do Zen Budismo que contêm aspectos inacessíveis à razão.  Finalmente, com o Epigrama, que é a mais diminuta forma poética de origem greco-romana.
         E a foto? A mesma Poesia das Palavras, o senso de infinitude, de busca constante, trazendo elementos mais característicos da visualidade, como o encontro do Céu e da Terra, da conciliação do Verde com o Azul, do Masculino e Feminino. 
          Estas ideias são reforçadas pela suavidade das nuvens, que são planas no lado de baixo, mostrando que estão todas à mesma distância mínima do solo – permitida pelas condições de temperatura e pressão, que dependem da altitude. 
          Deixando de lado estas considerações meteorológicas, o importante é que as nuvens no primeiro plano parecem mais altas, e com a distância vão se “reconciliando” com o solo. 
          Exageros especulativos?  Não sei.  A poesia é o campo de não-ditos.
Nada como sonhar, imaginar.

          A título de posfácio, um Koan (será que eu poderia chamar assim?) desta autora:

          Quando olhar para o chão do meu terreno, qualquer brilho diferente poderá ser um diamante.  Apenas os rastros brilhosos de uma lesma irão me confundir.



quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Poema



Tudo está
No som. Uma toada.
Raramente uma canção. Devia

ser uma canção – feita de
minúcias, vespas,
uma genciana – algo
imediato, tesoura

aberta, olhos
de uma dama – despertando
centrífuga, centrípeta.

Poema de William Carlos William,
tradução de José Lino Grünewald.


segunda-feira, 10 de julho de 2017

A Arte que Inspirou Picasso e Modigliani




Acervo Teócrito Abritta.


Máscara Ritual Macondo, Litoral da Tanzânia. Séc. XIX.
Acervo Teócrito Abritta


Máscara Ritual Macondo, Litoral da Tanzânia. Séc. XIX.
Acervo Teócrito Abritta


domingo, 9 de julho de 2017

A Arte de Susana Lehrer de Souza Barros


          Susana (1929-2011) foi minha vizinha quando eu tinha uns quinze anos, foi a professora que fez a minha prova oral no vestibular de Física na PUC-RJ, tendo sido posteriormente minha professora de Física I.  Afortunadamente foi minha colega por uns trinta anos no Instituto de Física da UFRJ.
          A par de sua carreira científica e educacional, trabalhou em Artes Plásticas – Gravura, Cerâmica, Colagens, Pinturas e Artes Digitais.
          Aqui tenho o prazer de apresentar esta original colagem, onde pedaços de cascas e fibras de coco são aplicadas sobre uma pintura, dando-lhe uma tridimensionalidade.
          No enquadramento desta obra, foi usado um ressalto entre os vidros, de modo a permitir a sua espessura.



Obra do acervo Teócrito Abritta.

sábado, 8 de julho de 2017

A Arte de Bia Vasconcellos


Galeria de Arte Centro Cultural Cândido Mendes, Rio de Janeiro-RJ, 1990.

Notem os detalhes de sua obra, onde colagens de tecidos são aplicadas em pinturas a óleo.  A tela fica entre placas de vidro para preservar a frágil superfície composta de pinturas e colagens. Acervo Teócrito Abritta.





Nossas imagens e o passar do tempo


Retratos
Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios
Nem o lábio tão amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil,
Em que espelho ficou perdida
A minha face?

Encomenda
Cecília Meireles
Desejo uma fotografia
Como esta - o senhor vê - como esta:
Em que para sempre me ria
Com um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
Derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga que me empresta
Um certo ar de sabedoria.

Não meta  fundos de floresta
Nem de arbitrária fantasia...
Não... nesse  espaço que ainda resta
Ponha uma cadeira vazia.


A Física do Susto
Cassiano Ricardo
O espelho caiu da parede.
Caiu com ele meu rosto.
Como meu rosto a minha sede.
Com a minha sede o meu desgosto.
O meu desgosto de olhar,
No espelho caído, o meu rosto.

Aquela Fotografia
Teócrito Abritta
ontem hoje sempre

imagens são lembranças
de nossas essências.
E não queremos perdê-las

vestida de azul
nos braços conto pintinhas
la bella desnudo



segunda-feira, 3 de julho de 2017

Cidade


Cidade City Cité
atrocaducapacaustiduplielastifeliferofugahistoriloqualubri
mendimultipliorganiperiodiplastipubliraparecipro
rustisagasimplitenaveloveravivaunivora
cidade
city
cité
Augusto de Campos

"Eu fui com Lygia e Haroldo aos Estados Unidos para uma série de apresentações da poesia concreta. Estive em várias universidades. Em Nova Iorque, fiquei hospedado no Chelsea Hotel. Isso foi em abril de 1968. Eu não sabia, mas no mesmo período lá estava Janis Joplin, que estava gravando 'Cheap Thrills'. Ela sempre ia, quando ficava em Nova Iorque, nesse hotel famoso, célebre ponto da cidade, mas também um hotel barra pesada. Então, naturalmente, conheci o primeiro disco da Janis, fiquei impressionadíssimo e, na mesma ocasião, em 68, eu fui para Austin, no Texas, e fui também pra Bloomington, Indiana. Em Bloomington gravei, na rádio da universidade, uma primeira versão do poema cidade (cidadecitycité)."

"Bom, aí está o poema 'cidade', que, na primeira versão, a de Bloomington, era muito mais longa do que esse. Nesse poema - digo que foi influenciado pelo (John) Cage -, me dei muita liberdade aleatória, tomando a palavra 'cidade' e outras palavras que terminavam com essa parte vocabular. Decidi fazer um poema com todas elas, que tivessem alguma relação com a ideia de grande metrópole. Adotei um critério puramente casual. Coloquei as palavras em ordem alfabética, sem me preocupar com o sentido que tivesse. Mas tive a sorte de que, no fim, a última palavra vinha a ser 'voracidade'. E eu percebi que ela como que engolia as palavras anteriores, ela fechava o poema, que ameaçava não ter fim. Na primeira versão, ele foi crescendo, virou uma espécie de monstro, que eu não conseguia mais controlar. Então eu tive a ideia, percebendo que a origem latina dessas propiciava que elas existissem em várias líguas, vários idiomas, inclusive o anglo-saxão... Resolvi encolher esse poema numa medida até que ele pudesse ser publicado numa página, em duas páginas. Ele foi reduzido de modo que apenas sobrevivessem as palavras que tivessem a mesma grafia nas três línguas: português, francês e inglês. Ficou 'cidade city cité'. A primeira gravação que eu fiz dava uma ideia do monstro que eu tinha em mãos. Àquela altura, eu conseguia ler de um só fôlego, era jovem. Hoje não dá mais".
Augusto de Campos

Ver vídeo no link abaixo:

Comentários por e-mail

Conheci um poeta que escrevia seus poemas com este tipo de provocação e sonoridade. Agora sei em quem ele se espelhou.

A sonoridade facilita a comunicação e ornamenta a linguagem, tal uma sinfonia de haikais cheia de uais...



domingo, 2 de julho de 2017

Encontros Literários



Fictio importat veritatem.

                    (A ficção supõe a verdade.)


Encontro com Jorge Luís Borges e Adolfo Bioy Cesares no Café La Biela, bairro La Ricoleta, Buenos Aires, fevereiro de 2014.



Impatiens


          Acabei o projeto, mas estava impaciente.  Andava de um lado para outro, pensando em não sei o quê.
          Olhava pela janela da cozinha, apenas o sol por testemunha.
          Corri até o escritório, tetas no teclado – ato falho – teclei a mensagem:

Olá
Tudo legal por ai? Escrevendo?
Depois de uns dez dias te dei um bom descanso, né?  Aqui descansei também.

A noticia boa é que inventei de construir um orquidário como solução de sombreamento para minha cozinha, que sofre com o sol da tarde.
Assim, daqui algum tempo, apreciarei a coleção de orquídeas da janela.
Também será o espaço para o manuseio de outras mudas, outras plantas que me agradam.  Em confortável ar terão também Maria-sem-vergonha (Impatiens), avencas e outras.  Texturas vivas simples e frescas.


Impatiens.  Foto T.Abritta.  Itaipava, Petrópolis – 2009.

Não sei ficar quieta.  Mesmo parada, eu movimento, embora as escritas andem paradas.
Você consegue entender isso, "andam paradas"?

Ah, Impatiens são totalmente desavergonhadas.  Basta um ligeiro roçar, que arremessam suas sementes, tal um beijo.  Sempre com um jeitinho dado, ao agarrarem um pauzinho molhado, criam logo raízes.  Pulam cercas e muros, adoram aninhar-se em sombras acolhedoras, grudando-se toda.  Verdadeira Maria-sem-vergonha.  Muito impacientes.

Que tal visitar este jardim?  Poderá cheirar minhas flores, sentir texturas e, quem sabe?  Até sabores.

Bjo