Se em Minas tem A Terceira Margem do Rio, por que não teríamos a Terceira Margem do Livro?
domingo, 27 de agosto de 2017
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Da série metáforas, a Vida e o Firmamento
O CÃO
Mauro Mota
A Edson Nery da
Fonseca
É um cão negro. É
talvez o próprio Cão
assombrado e fazendo assombração.
Estraçalha o silêncio com seus uivos.
A espada ígnea do olhar na escuridão
assombrado e fazendo assombração.
Estraçalha o silêncio com seus uivos.
A espada ígnea do olhar na escuridão
separa a noite, abre
um canal no escuro.
Cão da Constelação do Grande Cão,
tombado no quintal, espreita o pulo:
duendes, fantasmas de ladrão no muro.
Cão da Constelação do Grande Cão,
tombado no quintal, espreita o pulo:
duendes, fantasmas de ladrão no muro.
O latido ancestral
liberta a fome
de tempo, e o cão, presa do faro, come
o medo e a treva. Agita-se, devora
de tempo, e o cão, presa do faro, come
o medo e a treva. Agita-se, devora
sua ração de cor.
Pois, louco e uivante,
lambe os pontos cardeais, morde o levante
e bebe o sangue matinal da aurora.
lambe os pontos cardeais, morde o levante
e bebe o sangue matinal da aurora.
Aqui, Mauro Mota faz uma
metáfora com a Constelação do Cão Maior e
seu vagar noturno, surgindo no leste do horizonte matinal, tal um renascer e
“morrendo” a oeste no entardecer. O céu
descrito nesta poesia, pode ser visto na região de Recife, terra do poeta,
entre o final de junho e início de julho, quando esta constelação surge por volta das cinco horas da madrugada e se
põe entre cinco e seis horas da tarde, portanto, de acordo com a imagística da
poesia.
Nesta constelação está a
estrela mais brilhante de todos os céus, Sírius,
conhecida pelos antigos egípcios como Sótis,
o astro que após longo desaparecimento surge brilhante no horizonte do Nilo,
marcando o início do ano para este povo.
Para os antigos gregos, Cão Maior representa um dos cães que
seguiam Órion, O Caçador.
Nota:
Para analisar uma poesia, leva-se em
conta seus aspectos formais como: isometria, rima, metro, enjambements;
aspectos morfossintáticos: verbo, adjetivo posposto ou anteposto, inversões
etc. São considerados também: aspectos
fonéticos, semânticos, imagísticos, bem como outros fatores como plasticidade,
vocabulário, etc.
Outra maneira de “ver” um poema, seria
através de sua temática, dos seus não-ditos e encantamentos que nos trazem.
Neste poema de Mauro Mota fizemos uma
análise pensando apenas na beleza e imaginação do poeta diante do céu noturno
recifense.
sábado, 12 de agosto de 2017
Mosaicos no Leblon
Aqui
vai a foto, registrando mais um representante desta Arte Evanescente, que era a decoração de fachadas de prédios com
mosaicos. Este mosaico fica na Rua General San
Martin, 1120, esquina com a Rua Aristides Espínola, no Leblon.
Foto T.Abritta, 2008.
Mosaicos de Ipanema
Sempre que passava por
este prédio, na Rua Visconde de Pirajá 631, em Ipanema no Rio de janeiro,
ficava admirando estes mosaicos que ladeavam sua portaria. Nesta semana, finalmente tirei fotografias,
que agora trazem um pouco de "visualidades" ao meu dia pleno de
leituras e escrita.
Fotos T.Abritta, mostrando os mosaicos à
esquerda da portaria e à direita com seu detalhe.
Rio de Janeiro, 17 de julho de 2017.
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Quarta Feira de Cinzas (terceira estrofe)
T.S,Eliot
Porque
sei que o tempo é sempre o tempo
E
que o espaço é sempre o espaço apenas
E
que o real somente o é dentro de um tempo
E
apenas para o espaço que o contém
Alegro-me
de serem as coisas o que são
E
renuncio à face abençoada
E
renuncio à voz
Porque
esperar não posso mais
E
assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De
que me possa depois rejubilar
Sobre Poesia
Ao
lado da poesia espontânea, do arranca-toco sentimental, existe uma poesia-arte,
como existe o futebol-arte. É esta a
poesia que eu pratico. Poesia de faber,
operário artesão.
Augusto de Campos
A
nossa imaginação tenta vestir as coisas que estão divinamente nuas.
Marguerite Yourcernar
A
Poesia é feita de pequenos nadas.
Manuel Bandeira
Um
Poema não deve significar, mas ser.
Archibald MacLeish
Toda poesia já tem em si
mesma uma dimensão política. Em
essência, o poeta está em estado de greve.
Augusto de Campos.
Sem forma revolucionária
não há arte revolucionária.
Maiakóvski.
A Arte não é um espelho
para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.
Maiakóvski.
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
As Curvas e as Letras
a letra de FÔRMA
emoldura a FORMA
na tridimensionalidade
a pintura se transfigura
[ruptura
a reta / a curva
enigmático olhar
nudez de Paraíso
veludilínia pele
Arte / Vida
Ela na Tela
Fototexto
Quando sentir o
horizonte é não reconhecer-se no limite!
Foto e texto Lena Teixeira, Ouro Branco-MG, 19/07/2015.
Considero
como um gênero, diria artístico e não apenas literário, o que denomino Fototexto,
pois envolve tanto a Poesia na forma de Palavra como Visual. Ou seja, o texto não é mera legenda de uma
imagem, nem a imagem ilustra o texto.
Aqui vemos
um belo exemplo destes conceitos.
O texto
é bem sintético, contém apenas cinquenta seis caracteres – considerando-se os
espaços. Diz muito sobre a Vida como um
paralelo com o esplendor da Natureza.
Fala de nossa busca constante, que só tem sentido diante da Infinitude
traduzida pelos cenários naturais.
Em
certo sentido, estes textos curtos, verdadeiras exclamações poéticas, significando
muito com o mínimo de palavras, têm parentesco com os Haicais, Koans e Epigramas. Com os Haicais pelos paralelos da Vida com o
passar do tempo e com as estações do ano.
Com os Koans, que são breves narrativas, diálogos, questões e ensinamentos do Zen
Budismo que contêm aspectos
inacessíveis à razão. Finalmente, com
o Epigrama, que é a mais diminuta forma poética de origem greco-romana.
E a foto? A mesma
Poesia das Palavras, o senso de infinitude, de busca constante, trazendo
elementos mais característicos da visualidade, como o encontro do Céu e da
Terra, da conciliação do Verde com o Azul, do Masculino e Feminino.
Estas ideias são reforçadas pela
suavidade das nuvens, que são planas no lado de baixo, mostrando que estão todas
à mesma distância mínima do solo – permitida pelas condições de temperatura e
pressão, que dependem da altitude.
Deixando de lado estas considerações
meteorológicas, o importante é que as nuvens no primeiro plano parecem mais
altas, e com a distância vão se “reconciliando” com o solo.
Exageros especulativos?
Não sei. A poesia é o campo de não-ditos.
Nada como sonhar, imaginar.
A
título de posfácio, um Koan (será que
eu poderia chamar assim?) desta autora:
Quando olhar para o chão do meu terreno, qualquer brilho
diferente poderá ser um diamante. Apenas
os rastros brilhosos de uma lesma irão me confundir.
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