segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Da série metáforas, a Vida e o Firmamento



O CÃO
Mauro Mota
A Edson Nery da Fonseca
É um cão negro. É talvez o próprio Cão
assombrado e fazendo assombração.
Estraçalha o silêncio com seus uivos.
A espada ígnea do olhar na escuridão

separa a noite, abre um canal no escuro.
Cão da Constelação do Grande Cão,
tombado no quintal, espreita o pulo:
duendes, fantasmas de ladrão no muro.

O latido ancestral liberta a fome
de tempo, e o cão, presa do faro, come

o medo e a treva. Agita-se, devora

sua ração de cor. Pois, louco e uivante,
lambe os pontos cardeais, morde o levante
e bebe o sangue matinal da aurora.

          Aqui, Mauro Mota faz uma metáfora com a Constelação do Cão Maior e seu vagar noturno, surgindo no leste do horizonte matinal, tal um renascer e “morrendo” a oeste no entardecer.  O céu descrito nesta poesia, pode ser visto na região de Recife, terra do poeta, entre o final de junho e início de julho, quando esta constelação surge  por volta das cinco horas da madrugada e se põe entre cinco e seis horas da tarde, portanto, de acordo com a imagística da poesia. 

          Nesta constelação está a estrela mais brilhante de todos os céus, Sírius, conhecida pelos antigos egípcios como Sótis, o astro que após longo desaparecimento surge brilhante no horizonte do Nilo, marcando o início do ano para este povo. 

          Para os antigos gregos, Cão Maior representa um dos cães que seguiam Órion, O Caçador.  

Nota:
Para analisar uma poesia, leva-se em conta seus aspectos formais como: isometria, rima, metro, enjambements; aspectos morfossintáticos: verbo, adjetivo posposto ou anteposto, inversões etc.  São considerados também: aspectos fonéticos, semânticos, imagísticos, bem como outros fatores como plasticidade, vocabulário, etc. 
Outra maneira de “ver” um poema, seria através de sua temática, dos seus não-ditos e encantamentos que nos trazem.
Neste poema de Mauro Mota fizemos uma análise pensando apenas na beleza e imaginação do poeta diante do céu noturno recifense.

sábado, 12 de agosto de 2017

Mosaicos no Leblon


          Aqui vai a foto, registrando mais um representante desta Arte Evanescente, que era a decoração de fachadas de prédios com mosaicos.  Este  mosaico fica na Rua General San Martin, 1120, esquina com a Rua Aristides Espínola, no Leblon. 


Foto T.Abritta, 2008.



Mosaicos de Ipanema


Sempre que passava por este prédio, na Rua Visconde de Pirajá 631, em Ipanema no Rio de janeiro, ficava admirando estes mosaicos que ladeavam sua portaria.  Nesta semana, finalmente tirei fotografias, que agora trazem um pouco de "visualidades" ao meu dia pleno de leituras e escrita.

Fotos T.Abritta, mostrando os mosaicos à esquerda da portaria e à direita com seu detalhe.
Rio de Janeiro, 17 de julho de 2017.






segunda-feira, 7 de agosto de 2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Quarta Feira de Cinzas (terceira estrofe)


T.S,Eliot

Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar

De que me possa depois rejubilar

Sobre Poesia




Ao lado da poesia espontânea, do arranca-toco sentimental, existe uma poesia-arte, como existe o futebol-arte.  É esta a poesia que eu pratico.  Poesia de faber, operário artesão.
Augusto de Campos

A nossa imaginação tenta vestir as coisas que estão divinamente nuas.
Marguerite Yourcernar

A Poesia é feita de pequenos nadas.
Manuel Bandeira

Um Poema não deve significar, mas ser.
Archibald MacLeish

Toda poesia já tem em si mesma uma dimensão política.  Em essência, o poeta está em estado de greve.
Augusto de Campos.

Sem forma revolucionária não há arte revolucionária.
Maiakóvski.

A Arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.
Maiakóvski.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

As Curvas e as Letras


a letra de FÔRMA
emoldura a FORMA

na tridimensionalidade
a pintura se transfigura
                        [ruptura

a reta / a curva

enigmático olhar
nudez de Paraíso
veludilínia pele

Arte / Vida

Ela na Tela

A Simplicidade Na Pintura


Pintura por Edward Hopper

Fototexto


Quando sentir o horizonte é não reconhecer-se no limite!


Foto e texto Lena Teixeira, Ouro Branco-MG, 19/07/2015.

          Considero como um gênero, diria artístico e não apenas literário, o que denomino Fototexto, pois envolve tanto a Poesia na forma de Palavra como Visual.  Ou seja, o texto não é mera legenda de uma imagem, nem a imagem ilustra o texto. 
          Aqui vemos um belo exemplo destes conceitos. 
          O texto é bem sintético, contém apenas cinquenta seis caracteres – considerando-se os espaços.  Diz muito sobre a Vida como um paralelo com o esplendor da Natureza.  Fala de nossa busca constante, que só tem sentido diante da Infinitude traduzida pelos cenários naturais.
          Em certo sentido, estes textos curtos, verdadeiras exclamações poéticas, significando muito com o mínimo de palavras, têm parentesco com os Haicais, Koans e Epigramas.  Com os Haicais pelos paralelos da Vida com o passar do tempo e com as estações do ano.  Com os Koans, que são breves narrativas, diálogos, questões e ensinamentos do Zen Budismo que contêm aspectos inacessíveis à razão.  Finalmente, com o Epigrama, que é a mais diminuta forma poética de origem greco-romana.
         E a foto? A mesma Poesia das Palavras, o senso de infinitude, de busca constante, trazendo elementos mais característicos da visualidade, como o encontro do Céu e da Terra, da conciliação do Verde com o Azul, do Masculino e Feminino. 
          Estas ideias são reforçadas pela suavidade das nuvens, que são planas no lado de baixo, mostrando que estão todas à mesma distância mínima do solo – permitida pelas condições de temperatura e pressão, que dependem da altitude. 
          Deixando de lado estas considerações meteorológicas, o importante é que as nuvens no primeiro plano parecem mais altas, e com a distância vão se “reconciliando” com o solo. 
          Exageros especulativos?  Não sei.  A poesia é o campo de não-ditos.
Nada como sonhar, imaginar.

          A título de posfácio, um Koan (será que eu poderia chamar assim?) desta autora:

          Quando olhar para o chão do meu terreno, qualquer brilho diferente poderá ser um diamante.  Apenas os rastros brilhosos de uma lesma irão me confundir.