terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A Visita



para uns, culpa do tempo
- do calendário
coisas deste final de ano
alegria para muitos
tristezas para alguns
- chaves para abrir portas do fantástico

não sei se foi sonho, realidade ou imaginação


chegou silenciosamente
coberta com todas cores do mundo
quente sorriso enigmático
sedutora pele morena

seu manto de cores foi evanescendo
o corpo moreno florescendo

colocou as mãos na cintura
oferecendo sua nudez

e a doce música a cantar...

não sei se foi sonho, realidade ou imaginação
talvez coisas de verão.


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A Poesia pode estar



...no ar etéreo do mar de fim da tarde
com seus reflexos dourados
na brancura da espuma derramada nas areias?

...nas pintinhas que se assanham
no generoso decote de uma mulher
tal tremeluzentes estrelinhas
em um céu diurno?

...no maneio de ancas com
suas curvas que parecem bailar?

...ou simplesmente em um prato
de caldo de mocotó com torresmo
e um ovo estalado a nos provocar?

Tirando o mocotó, temos um autêntico poeminha clichê.  Mas o quê escrever nesta tarde escura e triste de uma sexta feira 13?

Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2019
Teócrito Abritta

sábado, 31 de agosto de 2019

História de um quadro



          Cada obra de Arte que adquiri tem uma história.  O quadro abaixo, por exemplo, foi adquirido em uma exposição do Frei Clemente Kesselmeier no Hotel Copacabana Palace como lembrança do Batizado da minha sobrinha Jeanne em que eu era o padrinho.  Jeanne é francesa e na época não falava o Português nem frequentava uma Paróquia brasileira.  Com a dificuldade em batizá-la, me indicaram Frei Clemente e o Batizado foi realizado na Igreja da Glória. 
          Frei Clemente e seu irmão gêmeo, padre Henrique, nasceram na Suíça e vieram exercer o seu sacerdócio no Brasil ao tomarem conhecimento da Teologia da Libertação.  Foram muito perseguidos pelo Vaticano.  O primeiro foi proibido de rezar missas e Padre Henrique foi demitido da PUC-RJ, onde lecionava Teologia. Ambos foram proibidos de terem uma Paróquia.
          Mas continuaram lutando contra a miséria, ignorância e opressão do Homem.  Frei Clemente sobrevivia fazendo pinturas e Padre Henrique trabalhava em diversas atividades, inclusive carpintaria. 
          Esta semana, depois de tanto tempo, este quadro deixou as minhas paredes, indo para as mãos de Jeanne e avivando um pouco a Memória destes Homens que nunca  se curvaram diante de um Poder injusto. 


Pintura de Frei Clemente Kesselmeier



Verso do quadro


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Ode aos Cabelos



Teócrito Abritta

Longos, o fetiche do corpo nu
seios entre cobertos que parecem flutuar.

Curtos, a nuca insinuante
macia penugem revelada

pele arrepiada
frêmito no corpo arrebitado

carnes contraídas
fenda inundada

coração que pede
desejo que inflama.

Publicado no Caderno Literário Pragmatha 75, agosto de 2019, p.52.





quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Sinfonia de Luciano Berio



A Sinfonia de Luciano Berio composta em 1968 e com estreia mundial pela Filarmônica de Nova York em 10 de outubro do mesmo ano, saudada pelo TIME como “Uma excitante experiência musical que focaliza os males da época melhor do que todos os movimentos de protesto de vanguarda, de misticismo e de violência que afetam a vida contemporânea. É uma grande e estimulante composição musical”.
          Nela temos trechos de Le Cru et le Cuit de Claude Levi-Strauss, extratos de The Unnamable (O Indescritível) de Samuel Beckett e um tributo a Martin Luther King.  Nesta peça temos uma sofisticada e ímpar integração entre música e vozes.  Luciano Berio (1925-2003) foi um compositor italiano, destacando-se, sobretudo, no vanguardismo e no domínio da música experimental.
          Escutem a música no link abaixo, e gostando ou não, temos que concordar com sua marcante contribuição artística contra os males que nos afetam ainda hoje.








segunda-feira, 15 de julho de 2019

A janela mineira



Teócrito Abritta

A branca nitidez do ferro duro
nos acolhedores verdes limites da moldura.

Contraponto entre este mundo
onde muitos falam tanto e não dizem nada
e o silêncio da Natureza?

Possibilidades Impossibilidades Simbolismos?
Não seria o Coração a janela da Alma?

Mas uma janela é sempre uma janela
só pelo fato de ser uma janela.

Esta, porém, é pequenina, elegante
com direito a tudo que você imaginar
tudo mais que o silêncio possa contar
tudo que sua Poesia pedir
longe de todos
neste cantinho de olhar.

Nos encantos de ruas mineiras
meu segredo Poético-Sentimental
roteiro revelado.
A grande Arte de fazer artes...

Publicado em Caderno Literário Pragmatha, 74, p.92 - Julho de 2019.





sábado, 15 de junho de 2019

Sonhos de Valentina




Tal mundo platônico invisível
sonhos contrapondo-se à realidade tangível e concreta.
Um sonhar que parece querer penetrar e materializar-se
nas frestas da existência desejável.

Vamos voar?
Sorriso a convidar.

Perfume na pele
suor que molha
espinhos que arranham
sangue que pulsa.

Veludosas margens que transbordam
pernas que se abrem
carnes que contraem.

Quente lambida no despertar.


Valentina.  Painel fotográfico sobre madeira, 102x135 cm.

Acervo Teócrito Abritta.

Nota:
Valentina, criada por Guido Crepax (1933-2003), é um dos grandes nomes das HQs eróticas, sendo conhecido pela linguagem cinematográfica e pelo estilo elegante e sensual de seus desenhos.  Tornou-se a mais importante personagem de Crepax.  Suas excitantes aventuras deram origem a um dos quadrinhos adultos mais influentes do século XX.
Muito mais que uma bela personagem, Valentina é uma mulher multifacetada, que oscila entre uma vida real em que trabalha como fotógrafa e um mundo onírico em que explora as mais diversas e picantes fantasias sexuais.



domingo, 3 de fevereiro de 2019

Adeus



Nos limites do infinito tempo
a amplidão azul do firmamento
cores se fundiram
corações se conciliaram

neste adeus de nunca mais
apenas o vazio que flutua
no silêncio para sempre


Abstrato.  Óleo sobre tela.  Humberto Carneiro Ribeiro.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Encantamentos



era uma estrada triste
escura vazia

na curva a bike luzia

não sei se fada
ou o que fazia

pede carona pra você
dar uma voltinha

este passeio
vai ser D+

na garupa com você bem quentinha

vamos nesta
bye bye para quem fica

pedala pedala
pra cima pra baixo

rebola rebola
e eu a sonhar

bem juntinho
da sinuosa fadinha 


Sombras que Ficam