Hoje terminei minha jornada,
caminhando entre letras, palavras e dezenas de textos do livro “Toda a nudez da
artista descalça” da escritora, artista plástica e fotógrafa Graça Campos.
A publicação tem uma concepção gráfica
primorosa, apresentando nas suas páginas iniciais e finais, belas imagens
fotográficas da autora, em cores ou no preto e branco da nostalgia, associadas
a fragmentos de seus poemas. A capa do
livro é ilustrada por uma pintura com viés surrealista, com mesmo tema do
título do livro. Na contra capa, a foto
de Graça Campos em seu ofício de pintora.
Nos caminhos pelas páginas desta obra,
bordados com poesia e tanto amor, fui sendo levado pelas mãos da
literatura.
Em cada suspiro nesta rota poética, um
encanto.
Dialoguei com textos intimistas,
outros mais confessionais, bem como escritos reflexivos com tendências
filosóficas. Mas sempre com forte carga
lírica. Me encantei com a profusão de
gêneros literários, indo da poesia, passando pela prosa poética, crônicas e
ensaios.
Em outras paradas desta jornada, os
grandes temas da literatura: O Desconcerto
do Mundo, O Fatalismo, As Perdas, O Tempo e suas Transformações, A Razão e o
Amor, Hábitos e Costumes, O Prazer Artístico e O Sofrimento Humano.
Os Topos do fazer literário
sempre presentes: Carpe Diem, viver o momento com toda intensidade; Locus
Amoenus, ligado ao bucólico, à paisagem, à natureza plácida e ao amor. Ego Sum, laivos do subjetivo, o Eu do
Romantismo; o Ubi Sunt? (Onde estão eles?), ligado ao nostálgico, sem
ser niilista, mas sempre positivo.
Outro
aspecto que não poderia deixar de mencionar é a abordagem que a autora faz da
Natureza como paralelo de nossas vidas. Minas
de tantas serras, paisagens e céus maravilhosos, sempre inspira poemas sobre as
dualidades serra / dramaticidade; céu / placidez; serra / masculino; céu /
feminino. Mário de Andrade e João
Alphonsus (filho de Alphonsus de Guimarães, de Mariana) escreveram, respectivamente,
um poema e um romance sobre a Serra do Rola-Moça em Belo Horizonte. Aqui a autora se inspira sob o manto das
Serras do Parque Estadual do Pico do Itambé, das matas, águas e cachoeiras,
pássaros, borboletas, e da imensidão do céu noturno pontilhado de estrelas. Nada escapa de sua sensibilidade e apreciação.
Enfim.,
o livro é um apaziguamento d’Alma, com a nudez da artista descalça mostrando
seu despojamento de preconceitos, vestindo a cada passo roupas coloridas, de
diferentes estilos e tecidos, metáforas de suas qualidades humanas. Os pés descalços vão pisando os prazeres e
belezas de nosso mundo, bem como sentindo a aspereza dos solos da Vida.
Termino esta apreciação com as palavras da autora:
Quando tudo é silêncio e a lua em seu brilho e
beleza
devagar, espiando a noite, caminha...
21 de abril de 2020, Teócrito Abritta
Físico e Escritor



