Minas tem mistérios. Talvez impenetráveis. Reside aí o fascínio. Assim pensava, olhar perdido, focado no
infinito. O sol forte. A sombra da
Igrejinha de Nossa Senhora do Ó como proteção.
Nome enigmático de santa. Mas
nesta verdadeira confraria de Ós espalhada por aí, não foi difícil descobrir
sua origem. Nasceu Nossa Senhora do
Parto, lá na antiga Toledo do século sete.
Nas liturgias, invocações exclamativas: O Sapientia, O Clavis David, O Emmanuel. Mas ao povo, criatividade
simplificadora. Até a nobreza do Latim e
alusões ao Antigo Testamento ignoradas.
Tudo virou o simples Ó de invocação à Virgem. A Nossa Senhora do Ó. Pequena e majestosa, nos fundos de um largo
ladeiroso, riscado pela erosão das enxurradas, mas acolhida pelo adro de pedras
ladeadas por verde capim de perpétua esperança.
Misteriosa, olha-nos com sua fachada facetada. Porta central, ladeada por duas janelas
laterais. Encimada, no centro, pela
pequena torre do sino. Ode à
simplicidade arquitetônica. Uma
constante em outros povoados e vilas mineiras.
Teria algum significado?
Nervuras e arcobotantes nas catedrais medievais conspiravam para alçar
às alturas dos céus, tentando reduzir o homem diante do poder divino. O fausto, a riqueza e dramaticidade de
algumas igrejas mineiras afugentariam os espíritos malignos das montanhas. E a simplicidade destas capelinhas? Só o vento pode responder...
Foto
Chapada, Ouro preto, 2021©

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