sábado, 31 de julho de 2021

Catedrais, Igrejas e Capelinhas


          Minas tem mistérios.  Talvez impenetráveis.  Reside aí o fascínio.  Assim pensava, olhar perdido, focado no infinito. O sol forte.  A sombra da Igrejinha de Nossa Senhora do Ó como proteção.  Nome enigmático de santa.  Mas nesta verdadeira confraria de Ós espalhada por aí, não foi difícil descobrir sua origem.  Nasceu Nossa Senhora do Parto, lá na antiga Toledo do século sete.  Nas liturgias, invocações exclamativas: O Sapientia, O Clavis David, O Emmanuel. Mas ao povo, criatividade simplificadora.  Até a nobreza do Latim e alusões ao Antigo Testamento ignoradas.  Tudo virou o simples Ó de invocação à Virgem.  A Nossa Senhora do Ó.  Pequena e majestosa, nos fundos de um largo ladeiroso, riscado pela erosão das enxurradas, mas acolhida pelo adro de pedras ladeadas por verde capim de perpétua esperança.  Misteriosa, olha-nos com sua fachada facetada.  Porta central, ladeada por duas janelas laterais.  Encimada, no centro, pela pequena torre do sino.  Ode à simplicidade arquitetônica.  Uma constante em outros povoados e vilas mineiras. 

          Teria algum significado?  Nervuras e arcobotantes nas catedrais medievais conspiravam para alçar às alturas dos céus, tentando reduzir o homem diante do poder divino.  O fausto, a riqueza e dramaticidade de algumas igrejas mineiras afugentariam os espíritos malignos das montanhas.  E a simplicidade destas capelinhas?  Só o vento pode responder...

Foto Chapada, Ouro preto, 2021©



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