quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Fototexto


Quando sentir o horizonte é não reconhecer-se no limite!


Foto e texto Lena Teixeira, Ouro Branco-MG, 19/07/2015.

          Considero como um gênero, diria artístico e não apenas literário, o que denomino Fototexto, pois envolve tanto a Poesia na forma de Palavra como Visual.  Ou seja, o texto não é mera legenda de uma imagem, nem a imagem ilustra o texto. 
          Aqui vemos um belo exemplo destes conceitos. 
          O texto é bem sintético, contém apenas cinquenta seis caracteres – considerando-se os espaços.  Diz muito sobre a Vida como um paralelo com o esplendor da Natureza.  Fala de nossa busca constante, que só tem sentido diante da Infinitude traduzida pelos cenários naturais.
          Em certo sentido, estes textos curtos, verdadeiras exclamações poéticas, significando muito com o mínimo de palavras, têm parentesco com os Haicais, Koans e Epigramas.  Com os Haicais pelos paralelos da Vida com o passar do tempo e com as estações do ano.  Com os Koans, que são breves narrativas, diálogos, questões e ensinamentos do Zen Budismo que contêm aspectos inacessíveis à razão.  Finalmente, com o Epigrama, que é a mais diminuta forma poética de origem greco-romana.
         E a foto? A mesma Poesia das Palavras, o senso de infinitude, de busca constante, trazendo elementos mais característicos da visualidade, como o encontro do Céu e da Terra, da conciliação do Verde com o Azul, do Masculino e Feminino. 
          Estas ideias são reforçadas pela suavidade das nuvens, que são planas no lado de baixo, mostrando que estão todas à mesma distância mínima do solo – permitida pelas condições de temperatura e pressão, que dependem da altitude. 
          Deixando de lado estas considerações meteorológicas, o importante é que as nuvens no primeiro plano parecem mais altas, e com a distância vão se “reconciliando” com o solo. 
          Exageros especulativos?  Não sei.  A poesia é o campo de não-ditos.
Nada como sonhar, imaginar.

          A título de posfácio, um Koan (será que eu poderia chamar assim?) desta autora:

          Quando olhar para o chão do meu terreno, qualquer brilho diferente poderá ser um diamante.  Apenas os rastros brilhosos de uma lesma irão me confundir.



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