O susto foi grande. Depois que saiu a charge no jornal – com um
sujeito magricela, de óculos, montado de costas num pangaré, seguido por uma
mulher a pé com uma criança no colo; todos sendo expulsos da cidade debaixo de
uma chuva de ovos podres – fiquei cismado.
De manhã, quando escovava os dentes no tanque, já ia com o revólver no
bolso do pijama. Minha mulher foi quem
me acordou, dizendo: “estão chegando”.
Só tive tempo de colocar um caixote nos fundos do terreno para ela
subir, pular o muro dos fundos e falar: “se esconda na casa do Seu Anízio que
vou depois”.
Coloquei o sofá atravessado no
corredor, entre as portas do quarto e do escritório, me escondi atrás, a 44 com
bala na agulha e o revólver à mão.
Munição espalhadas pelo chão para facilitar as recargas. De lá podia vigiar a janela do escritório à
esquerda, a janela do quarto à direita e a porta de entrada na frente. Em um dos três pontos entrariam
primeiro. Só atiraria em quem colocasse
um pé dentro de casa. O vozerio foi
aumentando, aumentando, e por milagre começou a diminuir, diminuir. Já escutava claramente as rezas, com todos os
améns. Quando abri a janela, ainda
cumprimentei alguns conhecidos na procissão.
Acendi um cigarro e logo chegou Seu Anízio todo assustado.
Aqui vão duas fotos da casinha da Rua do
Amparo. A antiga é da década de 40. A atual foi obtida usando o Google Earth. Parece que só trocaram a porta, depois que foi
rachada pelos cascos de Desatino (ver pág. 23 do livro Jequitinhonha).


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