Parabéns por continuar dentro da
Cultura Mineira, valorizando velhas construções, pesadas portas, janelas;
fechaduras, aldravas e até mata-burros nas entradas de igrejas. Minas é assim: tradição unida à modernidade. Na fotografia, uma pitada de modernidade pode
ser obtida, por exemplo, através de contrastes entre a sensação de eternidade e
o frescor do “novo”. Quem sabe, uma sexy
modelo – não restaurada – junto de um centenário alambique? Ou a jovem senhora, arrebitando-se com as pesadas
panelas daquele fumacento fogão a lenha?
A região do ciclo do ouro mineiro é
encantadora. Plena de História, Arte,
Mistérios, Emoções. Santa Bárbara brilha
como mini Ouro Preto. Catas Altas tem
grande dramaticidade, misteriosas montanhas, magnífico silêncio envolvendo a igrejinha
de Santa
Quitéria. Muito a visitar,
muito a ver. Satisfação e placidez
completam o cenário, dando gostinho de proximidade.
Capela
de Santa Quitéria, Catas Altas, MG. Foto
T.Abritta, 1996.
A presença da Fotógrafa nas imagens foi
ótima ideia. Não apenas traz mais calor
e vida, como senso de escala para a grandiosidade das igrejinhas barrocas,
algumas tão mal tratadas.
Fotografia é como um poema. Depois de escrito pertence ao
leitor-espectador que cria mil e uma interpretações. Assim, uma imagem diz o que vemos – na
imaginação, ou no frio recorte formado por cores e formas. Tal um poema, também reflete a poesia de
imagens imateriais.
Olhando mais detidamente algumas fotos,
destaco, por exemplo, a de número cinquenta, com grande riqueza de cores e
contrastes radicais: a aspereza e dureza da pedra suavizada pela maciez da
modelo; a eternidade das portas e paredes gastas pelo tempo, com o olhar
convidativo para explorar cada milímetro de calorosa sensualidade. Chegamos até sentir a pele macia ao deslizarmos
as mãos pelas rugosidades pedregosas.
Já na foto sessenta e dois, a
dramaticidade das montanhas é o grande manto que abriga a placidez, morada da imaginação,
que muito faz acontecer sobre aquela laje de pedra, perdida na imensidão verde,
marcada apenas pelo sorriso a decifrar.
Nos comentários finais deste ensaio
fotográfico, abdico da neutralidade de espectador privilegiado, fazendo das
palavras de Roland Barthes em O Prazer do
Texto, as minhas palavras.
“Se
leio com prazer essa frase, essa história ou essa palavra, é porque foram
escritas no prazer. Mas e o
contrário? Escrever no prazer me
assegura – a mim, escritor – o prazer de meu leitor? De modo algum. Esse leitor, é mister que eu o procure (que
eu o ‘drague’), sem saber onde ele está. Um espaço de fruição fica então criado. Não é a ‘pessoa’ do outro que me é
necessária, é o espaço: a possibilidade de uma dialética de desejo, de uma imprevisão do desfrute: que os dados não
estejam lançados, que haja um jogo.”
Atenciosamente,
Lázaro
Lokovaks, Fotógrafo e Escritor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário